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Centenário de Sophia de Mello Breyner: poesia e a defesa dos direitos humanos

OEI - Cultura . 13/12/2019
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A língua portuguesa festejou, em novembro, o centenário de Sophia de Mello Breyner, figura maior da poesia portuguesa, deputada à Assembleia da República depois do fim da ditadura, que defendeu uma relação renovada entre cultura e política. “Queremos uma relação limpa e saudável entre a cultura e a política. Não queremos opressão cultural. Também não queremos dirigismo cultural. A política, sempre que quer dirigir a cultura, engana-se. Pois o dirigismo é uma forma de anticultura e toda a anticultura é reacionária”, disse Sophia em setembro de 1975, num debate na então Assembleia Constituinte, para a qual foi eleita deputada nas eleições realizadas a 25 de abril do mesmo ano.

O lugar privilegiado da cultura na sociedade tal como defendido por Sophia está inscrito na Carta Cultural Ibero-americana e orienta a cooperação cultural promovida pela OEI, tendo como objetivo impulsionar e fomentar a diversidade cultural e a proteção do acervo cultural ibero-americano.

“A cultura não existe para enfeitar a vida, mas sim para a transformar - para que o homem possa construir e construir-se em consciência, em verdade e liberdade e em justiça. E, se o homem é capaz de criar a revolução, é exatamente porque é capaz de criar cultura”, afirmou Sophia de Mello Breyner no mesmo debate. A importância da cultura na transformação da sociedade está também presente nos objetivos da Carta Cultural Ibero-americana: afirmar o valor central da cultura como base indispensável para o desenvolvimento integral do ser humano, a que se junta a promoção e proteção da diversidade cultural.

“Toda a população tem direito à inviolabilidade e à livre expressão das formas de cultura que lhe são próprias. Nenhuma forma de cultura se pode atribuir o direito de destruir ou menorizar outras formas de cultura”, dizia Sophia. E, hoje e sempre, esse é um dos grandes desafios da OEI na sua aposta de consolidação do espaço cultural ibero-americano, na facilitação do intercâmbio de bens e serviços culturais, na criação de laços de solidariedade e de cooperação e na defesa e difusão do património cultural dos seus estados-membros.

“Num país e num mundo onde há famílias sem casa e doentes sem tratamento e sem hospital, a questão da liberdade de criação artística e intelectual pode parecer uma questão secundária”, dizia Sophia há 44 anos, numa mensagem que continua, todavia, atual. E é por isso que a OEI prossegue uma ação de reconhecimento e proteção dos direitos culturais, relevando e promovendo as políticas culturais públicas.

 

Imagem: Bibioteca Nacional de Portugal

 
 
 
 
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