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Ibero-América: Maioria dos trabalhadores do setor musical defende pagamento dos conteúdos online

OEI - Cultura . 30/07/2020
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Constituído maioritariamente por trabalhadores independentes, o setor da cultura é um dos mais atingidos pela crise da Covid-19. Criadores, produtores, técnicos e todos os intervenientes no setor viram os rendimentos ameaçados perante a suspensão das atividades.

Para perceber o atual estado do ecossistema musical ibero-americano, face às mudanças que afetam o desenvolvimento da produção artística, a internacionalização musical e o diálogo intercultural, a EXIB Música plataforma especializada no mercado musical ibero-americano, promoveu um inquérito online que permite avaliar os efeitos devastadores, mas também encontrar oportunidades.  

A diretora-geral da EXIB Música, Adriana Pedret, justifica assim a necessidade deste estudo: “Acreditamos que a resposta emocional, perante a necessidade de encontrar saídas para a crise, influencia consideravelmente todos as ações e desempenha o papel principal na tomada de decisões. É por isso que este inquérito explora alguns aspetos da atitude do setor perante a crise, com a esperança de poder contribuir para desencadear reflexões que permitam converter as atuais circunstâncias em oportunidades para assumir novas práticas coletivas sustentáveis”.

O Inquérito no qual participaram 15.088 pessoas, foi promovido nas redes sociais e através da newsletter da EXIB Música e disseminado por vários grupos profissionais e de redes de colaboração profissional.

A maior parte dos participantes são profissionais que se dedicam a atividades no universo musical há mais de 20 anos, em 144 cidades de 40 países.

O maior número de respostas veio de Espanha (21.2%), Portugal (16.7%), Argentina (15.6%) e Venezuela (4.4%); a maioria dos inquiridos são artistas (músicos, compositores, intérpretes ou instrumentistas), seguidos dos produtores e agentes, sendo grande parte empreendedores independentes.

As respostas revelam que 77% dos inquiridos trabalham exclusivamente no setor da música e/ou cultura e que 74.2% pensaram em abandonar a atividade e escolher outra profissão.

Quando se fala dos efeitos diretos da crise, 69,6% identificam oportunidades para o desenvolvimento do seu trabalho e 86.3% dizem-se preparados para assumir mudanças na organização do trabalho.

No entanto, quando a questão é sobre o estado de espírito, só 23% se mostram cheios de ânimo para enfrentar os desafios que o setor tem pela frente, enquanto 30% estão moderadamente ou pouco animados para prosseguir e 32,5% revelam-se mesmo muito preocupados com as consequências da crise.

Porque as crises são momentos por excelência de questionamento e oportunidades para recomeçar e fazer melhor, a sondagem revela que 23,7% dos criadores e empreendedores incorporam nos seus projetos iniciativas ligadas à sustentabilidade de forma sistemática; 27.6% quase sempre e 34.1% algumas vezes.

A crise veio pôr em causa as formas tradicionais de trabalho, mostrando que o recurso e a adaptação aos meios digitais podem fazer a diferença, mas nem todos estão igualmente preparados. Para 32.9% os conteúdos online são uma oportunidade e para 28.4% são um estímulo à criatividade. Para 14% são uma limitação e 7,1% sentem que cria insegurança, enquanto 6.3% revelam-se impotentes face ao desconhecimento do meio e 4% consideram que são uma ameaça ao seu trabalho.

As opiniões são, por isso, muito díspares sobre a importância dos concertos e sessões de músicos ao vivo online: 27.1% consideram que são uma limitação para gerar rendimentos;  20.1% entendem como uma possibilidade para chegar a um maior número de espetadores; 17.8% julgam tratar-se de uma alternativa que compromete a qualidade do trabalho, enquanto 16.3% consideram que aumenta a difusão do trabalho e 14.9% veem como oportunidade de internacionalização.

Uma questão quase consensual é a das receitas provenientes do online com 81.5% a defender que os conteúdos online deveriam ser pagos, o que poderia ser uma alternativa de rendimentos para artistas e promotores.

Sobre a forma mais equilibrada de salvaguardar as músicas populares e patrimoniais e a sua diversidade, no mercado musical independente, as opiniões dos inquiridos apontam uma variedade de caminhos: 25.6% pensam que é preciso fortalecer a rede de produção das manifestações musicais de povoações e comunidades tradicionais; 21.8% acham que se devem repensar espaços de diálogo entre a tradição e o contemporâneo; 21.2% apostariam em criar oportunidades em grandes eventos e festivais; 16.6% defendem que é preciso produzir espaços de reflexão sobre a valorização da diversidade; 13.5%, por seu turno, acreditam que se deve garantir a existência de uma categoria "grupos tradicionais" nas diversas convocatórias.

Para divulgação do trabalho, 57, 8% apostam nas feiras especializadas, 33.9% nas feiras gerais, com várias disciplinas artísticas e 5.8% preferem as macro feiras e, na impossibilidade de atividades com público, 65.7% consideram uma boa opção realizar edições 2020 online.

Como conclusão, refira-se que, num setor de trabalho maioritariamente independente, 54.2% dos intervenientes atribuem uma grande importância ao trabalho colaborativo.

 

 
 
 
 
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