“Skills 4 pós-Covid – Competências para o futuro”:  Articular o Ensino Superior com o mercado de trabalho

“Skills 4 pós-Covid – Competências para o futuro”: Articular o Ensino Superior com o mercado de trabalho

OEI - Ciência . 20/06/2020
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A primeira fase da iniciativa "Skills 4 pós-COVID – Competências para o Futuro” já está concluída. Os resultados serão conhecidos em setembro. Esperam-se os primeiros impactos já no próximo ano letivo.

Ficou concluída a primeira fase da iniciativa "Skills 4 pós-COVID – Competências para o Futuro”, com a sessão realizada no Instituto Politécnico de Bragança, no dia 19 de junho.

As sessões presenciais de lançamento da iniciativa tiveram início no Instituto Politécnico de Castelo Branco, no dia 12 de maio, na presença do Secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, João Sobrinho Teixeira, e prosseguiram pelas universidades e institutos politécnicos de norte a sul do país, com a presença do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

A iniciativa "Skills 4 pós-COVID – Competências para o Futuro" é promovida pela Direção Geral do Ensino Superior (DGES), em estreita articulação com a OCDE – Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico -, em colaboração com as instituições de ensino superior e empregadores públicos e privados, com o objetivo de reforçar e valorizar a resposta conjunta dos sistemas de ciência e ensino superior aos desafios impostos pela COVID-19.

Procura-se contribuir para a consolidação de práticas e abordagens de ensino, aprendizagem, trabalho e investigação, para preparar a transição para o período pós-pandemia.

Em nota de trabalho, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior refere que “deverá ser preparado durante os próximos meses o papel do sistema de ensino superior na transição para o período pós-COVID-19”, destacando a responsabilidade que as instituições de ensino superior têm na capacitação dos diplomados e na sua inserção ou reinserção bem-sucedida nos mercados de trabalho.

“Trata-se de capacitar os estudantes não só com competências científicas, técnicas ou profissionais, específicas dos cursos e unidades curriculares lecionadas, mas também dotá-los de um conjunto de competências transversais, cognitivas, sociais e emocionais, cada vez mais valorizadas num mercado de trabalho que premeia a capacidade de adaptação e a capacidade de responder face a situações de grande incerteza”, lê-se no documento.

O contributo de todos num “esforço coletivo”

Todas as sessões tiveram transmissão em direto em plataformas e redes sociais.

Em cada instituição foram apresentadas diferentes perspetivas de uma abordagem que se quer comum e consolidada a nível nacional. No ISCTE, por exemplo, debateu-se a importância da Ciência de Dados para o reforço das competências em análise de dados, estatística, ciências da computação e programação no contexto pós-pandemia.

A Universidade do Algarve apresentou o trabalho colaborativo entre a instituição e as empresas da região, evocando a preparação dos estudantes para o futuro mercado de trabalho e a rápida adaptação da universidade aos desafios colocados pela pandemia, como parte da estratégia que será consolidada no período pós-pandemia.

A Universidade do Minho, por seu turno, deu destaque à empregabilidade dos jovens recém-licenciados e dos profissionais à procura de formação complementar, à necessidade de diversificação e especialização da oferta de ensino, em resposta às solicitações do mercado de trabalho e ao alargamento da base social do ensino superior, em particular o aumento da participação de jovens de 20 anos dos atuais cerca de 50% para 60%, até 2030.

No Auditório Nobre a Universidade do Minho, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, apelou a “um esforço coletivo”, acrescentando que “só dessa forma se encontrarão os caminhos mais adequados para a construção de uma sociedade mais bem preparada para reagir a crises como a que estamos a viver”.

O ministro considerou que o desafio para o Ensino Superior “é a capacidade de se adaptar às novas exigências de viver numa sociedade com risco.”

A sessão que teve lugar no Instituto Politécnico de Bragança focou-se no impacto da COVID-19 na Economia Regional de Trás-os-Montes e Alto Douro, devido à modernização de alguns setores tradicionais da região e na emergência de alguns clusters tecnológicos e industriais, centrados nos principais polos urbanos regionais.

O ministro sublinhou que “quando falamos em competências estamos a falar sobretudo em projetar o futuro”, e que “um dos grandes desafios é a diversificação da oferta das formações do ensino superior”, reconhecendo a inevitabilidade  de estimular a aprendizagem ao longo da vida e a importância de alargar a base social do ensino superior e proporcionar formações curtas.
Outro desafio consiste em “pensar na ótica dos empregadores públicos e privados, quais as suas necessidades”. Isso exige colaboração entre empregadores e instituições de ensino superior para adaptarem a sua oferta formativa às necessidades do mercado.

 

Principais objetivos

Os objetivos da iniciativa “Skills 4 pós-Covid – Competências para o Futuro” são:

- Identificar os principais constrangimentos, desafios e oportunidades que a pandemia da Covid-19 introduz e/ou aprofunda nas atividades de ensino superior e na sua relação com a ciência e os mercados de trabalho;

- Antecipar o papel das instituições de Ensino Superior no período pós-Covid-19, avaliando não só as transformações socioeconómicas em curso, - em particular no que diz respeito à natureza das competências procuradas -, mas também o papel do ensino superior neste processo de transição;

- Fomentar novas abordagens no funcionamento e organização das instituições de ensino superior, que permitam responder aos desafios introduzidos pela Covid-19.

O projeto “Skills 4 pós-Covid-Competências para o Futuro” decorrerá até ao final de 2021. Nos dias 7 e 8 de setembro está prevista uma sessão intercalar, a decorrer no Convento da Arrábida, onde são apresentados os primeiros resultados da iniciativa e discutidas as atividades futuras.

Impacto já no próximo ano letivo

No próximo ano letivo esperam-se já alguns resultados como:

- A experimentação de práticas inovadoras de ensino e aprendizagem, adaptadas a um sistema de ensino misto e diferenciado, com o aprofundamento de formas de aprendizagem e ensino baseadas em projetos, trabalho de equipa, autoaprendizagem, adaptação de horas de contacto com estudantes e reconfiguração das cargas letivas;

- O desenvolvimento de formações e pós-graduadas de âmbito profissional, em estreita colaboração com empregadores, públicos e privados, fomentando a diversificação e a especialização da oferta de ensino;

- O aprofundamento das dinâmicas conseguidas nos últimos anos com formações curtas de âmbito superior no sistema politécnico, alargando o seu âmbito para adultos ativos e reforçando a colaboração com empregadores públicos e privados;

- O estabelecimento de novas formas de ingresso e participação no ensino superior de estudantes que complementem o ensino secundário por vias profissionais e artísticas, alargando a base social do ensino superior;

- O estímulo de formações curtas e modulares de âmbito superior como micro credenciais, que promovam a aprendizagem contínua e a aquisição de novas competências, designadamente no contexto europeu;

- E, ainda, o fomento de medidas visando a atração de estudantes internacionais, criando condições “COVID free” nas instituições de ensino superior.

 
 
 
 
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