Agustina Bessa-Luís

Morreu Agustina Bessa-Luís

OEI - Cultura . 04/06/2019
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Morreu a autora de “A Sibila”. Agustina Bessa-Luís faleceu, esta segunda-feira (dia 03 de junho) devido a doença prolongada. Tinha 96 anos. A notícia da morte da escritora provocou consternação. Em comunicado, publicado no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa homenageou Agustina Bessa-Luís:

“Há personalidades que nenhumas palavras podem descrever no que foram e no que significaram para todos nós. Agustina Bessa-Luís é uma dessas personalidades. Como criadora, como cidadã, como retrato da força telúrica de um povo e da profunda ligação entre as nossas raízes e os tempos presentes e vindouros. 

De “antes quebrar do que torcer” testemunhou, com o rigor inexcedível da sua escrita, nunca corrigida, o fim de um Portugal e o nascimento de outro. Um e outro feitos do Portugal eterno.

E é a esse Portugal eterno que ela pertence. O Presidente da República curva-se perante o seu génio e expressa aos seus familiares as mais sentidas condolências.”

Agustina Bessa-Luís nasce a 15 de outubro de 1922 em Vila Meã, Amarante. A escritora estreou-se em 1948 com a novela “Mundo Fechado”. Desde então publicou mais de meia centena de títulos entre contos, romances e histórias infantis.

Em 1954 publica aquela que viria a ser a sua obra mais conhecida e que a consagra como um nome incontornável da literatura em língua portuguesa “A Sibila”. O romance valeu-lhe os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz. Na lista de galardões inclui-se, entre muitos, o Grande Prémio de Romance e Novela, da associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pelo romance “Os Meninos de Ouro”, e que voltou a receber com “O Princípio da Incerteza I – Joia de Família”, em 2001. Em 2004 recebe o prémio máximo da literatura em língua portuguesa, o Prémio Camões.

Afastada da vida pública, há cerca de duas décadas, por razões de saúde, Agustina Bessa-Luís publicou o último romance em 2006, “Ronda da Noite.

Agustina Bessa-Luís foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Santiago da Espada, de Portugal, em 1981, elevada a Grã-Cruz em 2006, recebeu a Medalha de Honra da Cidade do Porto em 1988 e o grau de Cavaleiro das Artes e das Letras, de França, em 1989.